Uma viagem no tempo do transporte de Brasília desde a construção até os dias atuais, analisando diversos tipos de mobilidade que a cidade possui ou já possuiu.
Imagens: Arquivo Público/DF
Brasília, a capital Federal do Brasil, é uma cidade que foi planejada e construída no final dos anos 50. Desde então, tem testemunhado uma notável evolução no transporte, adaptando-se às necessidades crescentes de mobilidade da sua população em constante crescimento. Vamos embarcar em uma viagem pela história do transporte em Brasília, desde a época de sua construção até os dias atuais.
Fase da construção: Desafios e soluções
A construção de Brasília, projetada pelo arquiteto Oscar Niemeyer e pelo urbanista Lúcio Costa, foi um marco na história da arquitetura e urbanismo no mundo. Porém, criar uma cidade moderna em meio a um cerrado brasileiro trouxe desafios logísticos significativos. Durante a fase da construção, a mobilidade foi garantida principalmente por veículos pesados, caminhões e maquinários que transportavam materiais e trabalhadores.
"Nós tivemos lá neste dia, milhares de pessoas que vieram de todos os pontos do Brasil não sei como, passando por estradas,, chegavam lá de Jeep, à cavalo, acampavam debaixo das árvores, dos caminhões, foi um espetáculo, parece que Deus estava conosco". Juscelino Kubitscheck
Trecho do Documentário de JK ( Jean Manzon)
A história da TCB
A Sociedade de Transportes Coletivos de Brasília (TCB) é uma empresa brasiliense, fundada em 08 de maio de 1961 tendo iniciado suas operações em 1º de junho deste mesmo ano. Apesar de ser denominada como “ sociedade”, o Governo do Distrito Federal possui uma significativa participação na empresa. A TCB foi pioneira na implantação de ônibus buscando proporcionar um transporte público de qualidade para atender às necessidades da população que enfrentava problemas com um serviço desorganizado, precário e informal.
Entre as décadas de 60 e 80, a TCB viveu seu período áureo, e era considerada um modelo nacional em transporte público urbano. Chegou a abranger aproximadamente 96% das linhas de ônibus do Distrito federal, atendendo não somente Brasília, mas também as regiões administrativas mais antigas como Taguatinga, Sobradinho, Gama, Planaltina e Brazlândia.
A Partir da década de 1990, a TCB d eixou de atender as linhas das regiões administrativas e as linhas grandes-circulares. Atualmente o ônibus da TCB atende apenas a região central de Brasília.
O Transporte Público na Capital Federal
A partir dos anos 1970, a necessidade de um transporte público eficiente se tornou evidente. ônibus passaram a ser a principal forma de transporte coletivo, e as linhas foram expandidas para atender o crescimento da cidade.
Com isso vieram novas empresas de transportes coletivos que foram assumindo as regiões administrativas do Distrito Federal.
Os desafios da mobilidade urbana
Com o passar dos anos e o aumento da população, a mobilidade urbana em Brasília enfrentou diversos desafios. O Número crescente de veículos particulares resultou em congestionamentos, poluição e demandas por soluções sustentáveis. Em resposta a isso, investimentos em infraestrutura de transporte e aprimoramento do transporte público foram realizados. O Metrô, chegou à capital trazendo uma alternativa mais rápida e mais sustentável para o deslocamento das pessoas.
O METRÔ-DF
A história do Metrô-DF teve início em janeiro de 1991, quando foi criado um Grupo Executivo para iniciar os primeiros estudos sobre o impacto ambiental da obra. As obras tiveram início em janeiro de 1992, e em dezembro de 1993 foi criada a Companhia do Metropolitano do Distrito Federal, encarregada de operar o novo sistema de transporte. No entanto, em outubro de 1994 os trabalhos foram interrompidos temporariamente retomando em maio de 1996.
Entre agosto de 1998 e agosto de 1999, o Metrô-DF operou em regime experimental com o objetivo de aprimorar o conhecimento prático dos responsáveis pela operação do sistema. A operação definitiva foi iniciada e, 2001, com a inauguração do trecho que liga Samambaia a Taguatinga, Águas Claras, Guará e Plano Piloto. A expansão do sistema continuou em 2006, quando as obras foram estendidas até Ceilândia e com a conclusão de novas estações.
Ao longo de sua trajetória, o metrô enfrentou desafios, mas também alcançou marcos importantes, consolidando-se como uma parte essencial do sistema de transporte público do Distrito Federal, beneficiando
Integração no transporte Público
A integração do transporte público é uma estratégia utilizada em muitas cidades para melhorar a mobilidade urbana e proporcionar uma experiência mais eficiente e conveniente para os usuários. Essa integração busca conectar diferentes modos de transporte, como ônibus, metrô, trem e outros sistemas, permitindo que os passageiros realizem viagens mais longas ou complexas utilizando um mesmo bilhete e pagando uma única tarifa.
A integração do transporte Público tem como principal objetivo, a melhoria na mobilidade urbana, facilitando o deslocamento dos passageiros, reduzindo o uso de veículos e consequentemente, o trânsito nas vias
O modelo de integração adotado pelo Distrito Federal em junho de 2013, foi específico para o meio de transporte que a cidade mais utiliza; no caso, ônibus, metrô e micro-ônibus. No entanto, a implementação bem-sucedida da integração do transporte público requer planejamento e coordenação entre as diferentes entidades responsáveis pelo transporte de cada região.
O futuro da mobilidade em Brasília
Com planos ambiciosos para o futuro, Brasília almeja se tornar uma referência em mobilidade sustentável. Projetos para aprimorar a infraestrutura viária, investir em transporte público de qualidade e estimular o uso de veículos elétricos e bicicletas estão em desenvolvimento. A cidade tem o compromisso de estabelecer um sistema de transporte integrado e eficiente capaz de atender as demandas de uma população em constante crescimento.
A evolução do transporte em Brasília é uma história de adaptação e inovação, refletindo o crescimento e as necessidades da Capital Federal ao longo das décadas. A cidade continua a buscar soluções inteligentes para garantir a mobilidade eficiente, sustentável e acessível para todos os seus moradores e visitantes.
O Zebrinha
Em 1980, Brasília viu nascer um sistema de transporte público que se tornava um ícone da cidade: O Serviço Especial de Vizinhança, carinhosamente apelidado de “Zebrinha”. Esse sistema foi concebido para conectar as vias internas da Asa Sul, Asa Norte (W1 e L1) e Lago Sul, aos locais de trabalho na Esplanada dos Ministérios e nos setores de Autarquias, Comerciais e Bancários. Essa iniciativa foi liderada pelo governador Aimè Lamaison e pelo secretário de Serviços Públicos, José Geraldo Maciel. O Objetivo do serviço era de fazer com que os moradores de Brasília deixassem seus carros em casa e adotarem o transporte público como um meio de ir ao trabalho diariamente.
O nome “Zebrinha” foi escolhido por meio de um concurso popular, devido as características marcantes do ônibus que apresentavam listras brancas e vermelhas na lataria assemelhando-se ao padrão de uma zebra. Essa singularidade visual ajudou a tornar o serviço reconhecível e memorável para os passageiros.
A estratégia mostrou-se bem-sucedida, e ao longo das décadas 80 e 90, as zebrinhas ganharam uma ampla base de usuários, apesar de sua tarifa ser quase o dobro dos ônibus convencionais. Essa diferença no preço e restrição dos trajetos exclusivamente ao Plano Piloto conferiam ao transporte um ar de sofisticação. Na época era comum ouvir dizer que andar de Zebrinha era “ coisa de rico”.
Além da tarifa diferenciada, as zebrinhas se destacavam por não possuírem cobradores a bordo; o motorista era responsável por receber o dinheiro das passagens. Além disso, o serviço não operava aos sábados, domingos e feriados, enfatizando sua função de transporte exclusivamente voltado para o ambiente de trabalho e atividades comerciais da região.
Uma outra curiosidade sobre os “Zebrinhas” é que muitas pessoas pensam que o serviço foi descontinuado. No entanto, segundo o Secretário de Transportes, os coletivos apenas mudaram de cor, estavam operando com as cores dos demais ônibus da frota, mas as cores originais dos zebrinhas foram aprovadas pelo Conselho de Transporte Coletivo do DF e a partir de 2021 voltaram a circular com as cores brancas e vermelhas se expandindo ainda para Octogonal.
A busca por sustentabilidade
Atualmente, Brasília busca soluções mais sustentáveis para a mobilidade urbana. Novas linhas de Metrô e novas estações foram inauguradas, e a expansão do sistema de transporte público está em curso. Além disso há esforços para incentivar o uso de bicicletas e promover a integração entre os modais, reduzindo a dependência dos veículos particulares.
A integração também colabora para que isso ocorra, na redução dos custos, ao permitir que o usuário pague apenas uma tarifa para viagens combinadas, o incentivo ao uso do transporte público, com viagens mais fáceis e acessíveis, atraindo mais passageiros para o transporte, reduzindo a quantidade de veículos nas vias, contribuindo assim para a sustentabilidade das cidades.
"Brasília possui a frota de ônibus mais nova do país, com idade média de 2,4 anos A ampliação e a renovação da frota são com veículos da tecnologia Euro 6, que são mais modernos, seguros e confortáveis, e reduzem até 80% da emissão de poluentes no ar. Este ano, o GDF vai entregar 90 ônibus elétricos para atender a área central da nossa capital. Nosso foco é a sustentabilidade, com prioridade para o transporte coletivo e incentivo à mobilidade ativa, por meio de patinetes elétricos, bicicletas compartilhadas e a segunda maior malha cicloviária do país, com mais de 727 km de ciclovias. Todo esse sistema está em debate com a população, para atualização do Plano Diretor de Transporte Urbano (PDTU) e elaboração do Plano de Mobilidade Urbana Sustentável (PMUS) do Distrito Federal."
Zeno Gonçalves, Secretário de Transporte e Mobilidade do Distrito Federal
Os aplicativos de mobilidade urbana:
A ideia dos aplicativos de mobilidade é realmente proporcionar uma alternativa eficiente como meio de transporte, conectando de forma conveniente quem precisa do serviço de deslocamento com os prestadores de serviço. Desde a chegada da Uber em Brasília no final de 2014, outros aplicativos seguiram a mesma intenção, oferecendo aos usuários opções de transporte com conforto e praticidade.
Alguns exemplos desses aplicativos são o 99 Pop, Lady Drive, Indrive, Eva, dentre outros. Com a presença dessas opções na cidade, os moradores tem acesso a uma diversidade de escolhas de transporte, tornando mais fácil se locomover pela cidade sem a necessidade de possuir um carro próprio Essa evolução no cenário da mobilidade urbana tem contribuído para melhorar a experiência dos usuários, e reduzir a dependência de veículos particulares favorecendo o transito e a qualidade de vida em Brasília.
Trecho do Documentário de JK ( Jean Manzon)
"As dificuldades durante a construção, elas se multiplicaram, logo que a notícia circulou pelo Brasil, começaram a afluir à Brasília milhares de pessoas, eu me lembro que em um dia chegaram 5 mil pessoas, procurando serviço, vinham do nordeste, os paus de arara se multiplicavam pelos caminhões e vinham atravessando o cerrado, saltando os rios quase carregando os caminhões nos próprios braços para chegar até Brasília".